Da sabedoria ancestral ao feed do Instagram — a jornada dos fungos funcionais até o seu café da manhã
Os números não mentem
No PubMed, o maior banco de dados de literatura médica do mundo, uma busca por “Hericium erinaceus” ou “Lion’s Mane” retorna mais de 500 publicações científicas. O mais revelador não é o número — é a curva. Até 2010, contavam-se nos dedos. A partir de 2015, o crescimento se acelera. Nos últimos cinco anos, dispara. [o link que passamos já carrega com a pesquisa]
No Google Trends, a história se repete. O termo “Juba de Leão” permaneceu estável e discreto por anos. Em meados de 2022, algo mudou. A linha começa a subir. Em 2024, atinge seu pico. Hoje, mantém-se em patamar três vezes superior ao de cinco anos atrás.

O que aconteceu? Por que, de repente, o mundo passou a prestar atenção em cogumelos?
Raízes milenares, memória curta
A verdade é que o interesse não surgiu do nada — ele ressurgiu.
Na China, o Reishi (Ganoderma) é chamado de “cogumelo da imortalidade” há mais de dois mil anos. Textos clássicos da medicina tradicional chinesa o prescreviam para fortalecer o qi, acalmar o espírito e prolongar a vida. No Japão, o Trametes versicolor — conhecido como Turkey Tail ou Cauda de Peru — é utilizado como adjuvante oncológico há décadas, com o composto Krestin (Polissacarídeo-K) aprovado para uso hospitalar desde os anos 1980.
Essas tradições nunca desapareceram na Ásia. O que mudou foi o Ocidente.
Durante boa parte do século XX, a medicina ocidental olhou para os cogumelos medicinais com ceticismo — quando olhava. Eram relegados ao folclore, à “medicina alternativa”, ao exótico. A ciência séria estava ocupada com moléculas sintéticas.
Mas a ciência é autocorretiva. E os dados começaram a se acumular.
O catalisador: quando os fungos ficaram bonitos
Em 2019, um documentário mudou a forma como milhões de pessoas enxergam os cogumelos.
Fantastic Fungi, estrelado pelo micologista Paul Stamets, levou às telas do Netflix imagens de timelapse que transformaram fungos em protagonistas cinematográficos. Micélios se espalhando como relâmpagos subterrâneos. Corpos frutíferos emergindo do solo em câmera lenta. A “internet das florestas” — a rede de micorrizas que conecta árvores — explicada com a poesia que merecia.
O filme não era apenas sobre ciência. Como deve ser, era sobre beleza. E beleza viraliza.
De repente, cogumelos estavam no radar de pessoas que jamais haviam pensado neles. Stamets, com sua aparência de mago e seu chapéu feito de um cogumelo apelidado de ‘fungo telhado’, tornou-se uma figura cult. Suas palestras TED acumularam milhões de visualizações. A micologia ganhou um rosto — e uma estética.

Fantastic Fungi (2019): o documentário que transformou cogumelos em estrelas de cinema
A tempestade perfeita: pandemia, prevenção e propósito
Se Fantastic Fungi plantou a semente, a pandemia de COVID-19 a regou.
Entre 2020 e 2021, o mundo viveu uma crise coletiva de saúde — e de consciência sobre saúde. Milhões de pessoas, confinadas em casa, começaram a questionar seus hábitos. O que estou comendo? Como posso fortalecer minha imunidade? Existe algo além de esperar pelo próximo medicamento?
A busca por saúde preventiva e nutrição funcional explodiu. Termos como “sistema imunológico”, “inflamação” e “gut health” dominaram as pesquisas. E os cogumelos funcionais — com suas beta-glucanas imunomoduladoras e seus compostos bioativos — estavam perfeitamente posicionados para surfar essa onda.
Foi nesse contexto que o interesse pelo Juba de Leão começou a decolar no Brasil, como mostram os dados do Google Trends a partir de 2022. A combinação era irresistível: um alimento natural, com tradição milenar, respaldado por ciência crescente, que prometia benefícios para o cérebro — o órgão que todos querem proteger.
A ciência que sustenta o hype
O interesse popular não surgiu no vácuo. Por trás das manchetes, havia (e há) pesquisa séria.
Em fevereiro de 2023, um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, ganhou manchetes globais. A equipe liderada por Ramon Martinez-Mármol demonstrou que compostos do Juba de Leão — especificamente a hericena A e derivados de hericerina — promoviam crescimento de neurônios e melhoravam a memória em modelos animais. O estudo era robusto, com múltiplas abordagens experimentais.
“Mushrooms magnify memory by boosting nerve growth”, anunciou a universidade. A notícia correu o mundo. No Brasil, O Globo publicou: “Composto de cogumelo comestível estimula o crescimento dos nervos e amplia a memória”.
Como exploramos em artigo anterior, esse não foi um estudo isolado. Revisões sistemáticas publicadas em periódicos como o International Journal of Molecular Sciences consolidaram décadas de pesquisa sobre os compostos neurotróficos desse cogumelo. A ciência estava — está — avançando.
Quando celebridades entram em cena
O ciclo se completa quando figuras públicas validam a tendência.
No artigo de inauguração deste blog, mencionamos Ben Carson — o renomado neurocirurgião pediátrico que assumiu o inédito cargo de National Nutrition Advisor nos Estados Unidos. Pela primeira vez, um país tem um “nutricionista geral” em escala nacional, sinalizando uma mudança de paradigma: a nutrição preventiva ganha status oficial.
No Brasil, outubro de 2023 trouxe uma manchete que acelerou as buscas: “Gisele Bündchen adotou o Juba de Leão para melhorar o foco e aumentar a energia”, noticiou O Globo.
No vídeo publicado pela supermodelo, ela aparece meditando e praticando yoga enquanto explica: “Há algum tempo que tomo Lion’s Mane Mushroom, e ele realmente me ajuda na concentração e a aumentar a minha energia.”
Mas o detalhe mais revelador estava na legenda. Gisele contou que aprendeu sobre o uso de plantas para bem-estar com sua avó, que lhe transmitiu ensinamentos sobre “o poder das plantas”. Há mais de 20 anos, ela implementa produtos orgânicos em sua rotina.
Não era apenas uma celebridade promovendo um produto. Era uma ponte entre gerações — entre a sabedoria ancestral e o biohacking contemporâneo. A tradição validando a tendência.

Gisele Bündchen e o Juba de Leão (foto do New York Post)
Do nicho ao café da manhã
O sinal mais claro de que uma tendência deixou de ser nicho? Quando ela chega ao supermercado.
Nos últimos dois anos, uma nova categoria de produtos invadiu as prateleiras: os mushroom coffees — cafés funcionais com extratos de cogumelos. Marcas como Ryze e MUD\WTR conquistaram milhões de consumidores nos Estados Unidos. No Reino Unido, a tradicional Marks & Spencer lançou shots de Lion’s Mane.
A grande mídia tomou nota. A BBC News comparou os efeitos do café tradicional com o Lion’s Mane. O Guardian investigou se “cogumelos medicinais realmente melhoram a saúde”. O Times de Londres cobriu a ascensão dos cafés funcionais. A NBC News dedicou reportagem ao fenômeno do mushroom coffee.

O interesse da grande mídia: BBC, Guardian, The Times, NBC News
O apelo é duplo: os benefícios atribuídos aos cogumelos funcionais (foco, energia, imunidade) combinados com a familiaridade do ritual do café. É a porta de entrada perfeita para quem nunca consideraria tomar um suplemento em cápsula.
O mercado global de cogumelos funcionais, avaliado em cerca de US$ 34 bilhões em 2025, deve ultrapassar US$ 60 bilhões até 2032. O Juba de Leão já superou o Reishi como o cogumelo medicinal mais vendido em diversos mercados.
Hype ou substância? O papel que escolhemos
Com tanto barulho, é natural perguntar: isso é real ou é mais uma moda passageira?
A resposta honesta é: depende de quem você ouve.
Há produtos de qualidade duvidosa inundando o mercado. Há promessas exageradas. Há suplementos que contêm mais amido do que bioativos. O hype atrai oportunistas — sempre atraiu, sempre atrairá.
Mas há também ciência sólida. Há tradição milenar. Há compostos que demonstram, em estudos bem desenhados, capacidade de estimular fatores neurotróficos, proteger neurônios e melhorar marcadores cognitivos.
O desafio é separar o joio do trigo.
É exatamente para isso que a Fungipharm existe.
Somos cientistas. Doutores formados nos Estados Unidos e Canadá, com especialização em qualidade de alimentos e saúde cerebral — neurociência e psiquiatria. Fundamos esta empresa porque vimos o potencial dos cogumelos funcionais e percebemos que o mercado se diluía com produtos sem controle de qualidade.
Nossa produção é 100% brasileira. Nosso controle de qualidade é rigoroso. Nossa missão é entregar o que a ciência promete — não o que o marketing exagera.
Nos próximos artigos, vamos mergulhar nos detalhes: os compostos específicos do Juba de Leão, os ensaios clínicos em humanos, as evidências sobre memória e cognição. Vamos mostrar o que sabemos, o que ainda não sabemos, e o que você pode esperar de forma realista.
O renascimento dos cogumelos é real. A questão é: você está recebendo o melhor que eles podem oferecer?
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Fungipharm — Ciência ancestral, rigor contemporâneo