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05 de março 2026

Cogumelos Medicinais – Superfood e extratos ⚗️

por: Felipe Tancredi
Algumas espécies de cogumelos produzem substâncias que nenhum outro alimento oferece. Conheça as oito mais estudadas pela ciência — cinco delas comestíveis — e descubra por que a Juba de Leão é o cogumelo da longevidade cerebral.

Neste post você verá:

Os cogumelos alimentam — isso já sabemos. Mas algumas espécies vão muito além da nutrição convencional. Produzem substâncias que nenhum outro alimento oferece: polissacarídeos que regulam o sistema imune, triterpenos com ação anti-inflamatória, antioxidantes exclusivos do reino Fungi. O termo “superfood” já foi aplicado a muitos alimentos. Os cogumelos medicinais talvez sejam os que mais merecem.

Um marco histórico

Em 1928, Alexander Fleming observou que um fungo do gênero Penicillium havia contaminado uma de suas placas de cultura — e, ao redor da colônia, as bactérias não cresciam. Daquela observação nasceu a penicilina, o primeiro antibiótico, inaugurando uma revolução que salvou milhões de vidas.

A penicilina não veio de um cogumelo comestível, mas de um bolor. Ainda assim, o princípio é o mesmo: fungos produzem moléculas que nós, humanos, podemos usar. Fleming abriu a porta. O que encontramos do outro lado continua a surpreender.

Oito espécies de destaque

Das mais de 2.000 espécies de cogumelos usadas ao longo da história por diferentes culturas, a ciência já investigou cerca de 700. Algumas se tornaram referência — pelo volume de estudos, pela tradição de uso ou pela singularidade dos compostos que produzem.

Um detalhe que surpreende: cinco das oito espécies mais estudadas são comestíveis. Cogumelo medicinal é, antes de tudo, comida.

Shiitake (Lentinula edodes) — O cogumelo mais cultivado do mundo depois do champignon. Presente na culinária asiática há séculos, é rico em lentinano e ergotioneína — um antioxidante que só o reino Fungi produz.

Maitake (Grifola frondosa) — “Cogumelo dançante” em japonês: conta-se que quem o encontrava na floresta dançava de alegria. Apreciado na cozinha e estudado por seus efeitos na regulação metabólica e no suporte imunológico.

Cordyceps (Cordyceps militaris) — Na natureza, parasita insetos — ciclo de vida macabro que rendeu destaque em ficções apocalípticas. O cultivo em laboratório revelou seu composto-chave: a cordycepina, associada à melhora de energia e resistência física. Atletas o utilizam como recurso ergogênico natural.

Cogumelo do Sol (Agaricus subrufescens) — Originário do Brasil, ganhou fama internacional por seus efeitos sobre o sistema imunológico. Carrega alta concentração de beta-glucanas e tem apelo culinário genuíno.

Juba de Leão (Hericium erinaceus) — O mais singular da lista. Sabor delicado, textura que lembra frutos do mar — e uma afinidade única pelo sistema nervoso. Merece (e terá) uma seção à parte.

Outras três espécies, embora não funcionem bem na cozinha, são consumidas há milênios na forma de chás e extratos:

Reishi (Ganoderma lucidum) — Conhecido no Japão como “cogumelo da imortalidade”. Na China antiga, figurava no Shennong Bencao Jing — o mais antigo tratado farmacológico chinês — classificado entre as substâncias superiores. Seus triterpenos demonstram ação anti-inflamatória. A textura lenhosa e o sabor amargo impedem o consumo à mesa.

Chaga (Inonotus obliquus) — Cresce em bétulas de climas frios, formando massas escuras que parecem carvão. Rico em antioxidantes, é consumido como chá na Sibéria e no norte da Europa há séculos.

Cauda de Peru (Trametes versicolor) — Nomeado pelas faixas coloridas que lembram plumagem. Contém o PSK (polissacarídeo-K), um imunomodulador tão bem documentado que é prescrito como adjuvante em protocolos de saúde no Japão desde a década de 1980.

Oito espécies, perfis distintos — e algo em comum: produzem substâncias que nosso corpo reconhece e às quais responde.

Por que existem extratos

Cinco dos oito cogumelos que mencionamos são comestíveis — e incluí-los na alimentação já é um excelente começo. Ainda assim, os extratos concentrados existem por boas razões.

A primeira é prática: Reishi, Chaga e Cauda de Peru simplesmente não funcionam como alimento. O Reishi é amargo e lenhoso, o Chaga é duro como pedra, a Cauda de Peru tem textura de couro. A extração transforma essas espécies em algo consumível — cápsulas, tinturas, pós.

A segunda é a concentração. Estudos científicos trabalham com extratos padronizados, onde os compostos de interesse estão em doses definidas. A analogia é direta: cúrcuma no curry é saudável; curcumina padronizada é outra proposta.

E a terceira é a comodidade do dia a dia. Nem sempre é possível cozinhar shiitake ou maitake com frequência. Um extrato torna o consumo regular mais simples — sem deixar de aproveitar o que os cogumelos têm de melhor.

Comida ou extrato, o importante é não deixá-los de fora.

Diferentes estágios de extração do cogumelo Juba de Leão

Juba de Leão: o cogumelo da longevidade cerebral

Entre todas as espécies que mencionamos, a Juba de Leão ocupa um lugar à parte. Não porque seja mais potente — mas porque tem uma afinidade única com o sistema nervoso.

Enquanto a maioria dos cogumelos medicinais atua sobre o sistema imunológico, a Juba de Leão produz compostos exclusivos — como por exemplo as hericenonas e erinacinas — que estimulam fatores de crescimento neural no cérebro. São moléculas raras na natureza, e que a ciência vem associando cada vez mais à manutenção da saúde cerebral ao longo da vida.

Um dado ajuda a dimensionar esse potencial: o estudo de coorte de Osaki, que acompanhou mais de 13.000 idosos japoneses, mostrou que o consumo regular de cogumelos foi associado a 19% menos risco de desenvolver demência. Não é pouco.

A mensagem é simples: coma ou tome extrato — mas inclua a Juba de Leão na sua rotina. Se a longevidade do seu cérebro importa para você, este é um alimento que merece espaço no seu dia.

A Fungipharm nasceu justamente com esse propósito — trazer o melhor da Juba de Leão com rigor científico e transparência. É o cogumelo que escolhemos. E não por acaso.

Este artigo dá continuidade à série sobre o mundo dos fungos. Veja também: Uso dos Cogumelos, O Reino Fungi e Micorrizas.

Referências:

1. Tsukagoshi S, Hashimoto Y, Fujii G, et al. Krestin (PSK). Cancer Treatment Reviews. 1984;11(2):131-155.

2. Zhang S, Tomata Y, Sugiyama K, Sugawara Y, Tsuji I. Mushroom consumption and incident dementia in elderly Japanese: the Ohsaki Cohort 2006 Study. Journal of the American Geriatrics Society. 2017;65(7):1462-1469.

3. Wasser SP. Medicinal Mushroom Science: Current Perspectives, Advances, Evidences, and Challenges. Biomedical Journal. 2014;37(6):345-356.

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